Carta de natal da minha mãe
É véspera de Natal!
Todos andam numa correria a preparar o jantar da consoada. É uma azáfama, as corridas para as últimas compras, mas aqui no aconchego do meu lar, bafejado pelos meus filhos, relembro os nossos preparativos para a chegada dos presentes trazidos pelos Pai Natal, deixados em cima do fogão dos meus pais. Longe vai o tempo em que tu, Filipe, a Sandra, a Diana, a Márcia, a Sílvia, o Tiago e o Júlio desciam a canada ao anoitecer para deixar o sapatinho à espera dos presentes em casa do tio Satiro. Engraçado que eras tu quem tinha sempre a ideia de levar uma bota de cano alto, para que na manhã seguinte te levantasses cedo e corresses ao encontro da bota cheia. Eras um felizardo Filipe, o Pai Natal sempre te surpreendeu. Naquele tempo a magia do Natal, mesmo que no nosso imaginário, era diferente. Hoje não passa duma simples noite em que se escolhe as melhores iguarias para o jantar, onde na maioria dos casos, se junta a família. Que pena tudo passar tão depressa, deixar de se acreditar no Pai Natal, deixar de se acreditar na vida.
Esperançada que passes o Natal connosco Filipe, assim te deixamos.
Até sempre,
Martinha Melo
